Um modo de nascer é este, como poderia ser um qualquer outro. Sem pompa, sem hora marcada, simplesmente porque tudo o que a vida nos traz vem, em grande medida, sem aviso. Não tenho um uno modo de viver - a multiplicidade dos dias e dos momentos criam o meu modo de viver - ora interessante, ora entediante, ora dionisíaco, ora apolíneo...Sou assim, um misto de ser que sabe e não sabe perceber como se vive. Ainda não descobri qual é a minha missão na Terra. Sou "uma pequenina luz bruxuleante" que quer reverberar, que vê "ao longe os barcos de flores" e sabe quem lá segue. Talvez se tivesse nascido perto do mar hoje tivesse outro modo de viver. Vivi, nos olhos dos meus avós maternos, os molhos de erva, o estrume, os bois e os cartilhos de leite, vivi a carreta, o carro de bois, a vindima e a apanha das batatas. Malhei milho-rei na eira e brinquei numa meda de palha como uma rainha, enfeitei árvores de Natal em pleno estio e vi roupa tesa a corar junto à poça nas manhãs geladas de Inverno.
O meu modo de viver hoje é este - encontrar-me comigo de vez em quando e perguntar-me quem sou nesse momento.
Hoje é um belo dia para se nascer. Na cidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário