Com uma modelar e inigualável modernidade, Virgínia Woolf, em Orlando, redimensiona o conceito de biografia e reflecte sobre a poesia, a vida, os insondáveis domínios do inconsciente, o tempo, a fragmentação do “eu”, o curso da história do seu país, os avanços tecnológicos, a sociedade londrina e fá-lo com uma linguagem poética, perspicaz, irrepreensível e um humor fulgurante.Ao longo do livro, Virginia Woolf ludibria o leitor, estabelecendo com ele uma grande cumplicidade e uma espécie de pacto de verdade, de rigor, recorrendo a citações, a referências históricas, mas o mundo para onde o transporta é o do devaneio, sem que isso lhe roube a acutilância e o olhar incisivo sobre tudo o que escreve – passado ou presente.
Orlando passeia-se numa sorte de imortalidade, sem que a velhice, a avareza, a rudeza a fustiguem. De uma beleza sem fim, primeiro homem, depois mulher, ele/ela dá corpo a uma androginia sedutora, incólume e fantástica, num universo mágico que perpassa séculos, supera a razão e impõe um mundo outro, o da interioridade humana.
Um livro inquietante que vale a pena (re)descobrir.
Bla ble bli… imunda a mudez.
